EXTRA
O mate virou erva maldita nas praias do Rio. Pelo menos aquele vendido em tonéis na orla da cidade, prática que começou na década de 1950. A bebida, comercializada nos tambores prateados, começou a ser reprimida, com a chegada do “Choque de Ordem”.
Por enquanto, a repressão dos fiscais da prefeitura se restringe ao trecho entre o Arpoador e o Leblon, na Zona Sul do Rio. Entretanto, ainda há como encontrar por ali quem misture, no mesmo copo plástico, coragem e irreverência. Deles, é possível ouvir num cantinho de areia: “olha o proibidão do Paes”. É a senha para o mate malocado.
Para os amantes da prática, o jeito é aproveitar o chorinho que está sendo dado em outras praias da cidade.
Em Copacabana, por exemplo. Segundo a Secretaria de Ordem Pública, a repressão à comercialização nesse trecho começará em meados deste mês. De acordo com a Secretaria de Ordem Pública, a proibição da venda em botijões se deve a uma questão de higiene.
Enquanto esse dia não chega, o ambulante Francisco Alves, de 51 anos, conhecido pelos clientes como Bruno, vai dando fim a um ofício iniciado há 36 anos.
— Quando cheguei ao Rio de Janeiro para trabalhar, um amigo me sugeriu esse trabalho. Desde então, estou nessa — diz.
Famoso nas areias, Bruno tem a confiança dos clientes, de quem já ganhou duas comunidades no site de relacionamentos do Orkut:
— Eu só compro com o Bruno. Sei que a procedência da água é boa — diz o aposentado Ernesto Ferreira, de 55 anos.












