Carnaval é em Olinda
Conheça as ladeiras, as histórias e o significado do nome deste patrimônio em Pernambuco.
Do Globo.com
O nosso quadro Tô de Folga entra no ritmo do Carnaval. E a gente vai pra uma cidade com um nome que já diz tudo: Olinda. É linda mesmo.
Olinda é uma cidade encantadora. Para sentir esses encantos, melhor mesmo é conhecê-la a pé. Uma ginástica prazerosa. A paisagem mistura monumento, vegetação e mar. Uma beleza de 475 anos.
Em 1534, Portugal criou o regime de capitanias hereditárias. A de Pernambuco foi entregue a Duarte Coelho. Quando ele chegou querendo um local pra se instalar, encontrou uma pequena aldeia, que logo virou povoado.
Duarte Coelho teria dito diante de um lugar tão agradável: "Ó, linda situação para construir uma vila". O nome, dizem os livros, surgiu daí.
Olinda, que já foi dos portugueses e dos holandeses, tem a cara simpática da nação brasileira. Desde 1982, é patrimônio natural e cultural da humanidade.
Na área tombada, estão 27 igrejas e capelas, centenas de imóveis preservados.
"Eu já tinha visto em foto, mas nunca vi de perto os morros, a paisagem histórica e tudo mais", diz Mateus Sanches, turista.
No sítio histórico de Olinda, há diversas opções de hospedagem no Carnaval. Num hotel, o pacote de cinco diárias pra casal sai por R$ 5.100,00. Mas há lugares mais baratos, como um albergue, que cobra R$ 560, por pessoa, no mesmo período.
Cultura e lazer. Olinda tem muito disso, ainda mais no Carnaval. Como a área em frente à igreja é espaçosa, acaba virando palco para o desfile de várias agremiações.
Quase 700 agremiações estão cadastradas e são as estrelas da festa na cidade. O Maracambuco desfila todos os dias de carnaval.
"A gente olha pro lado, é uma ladeira linda, olha pra cá, é uma igreja, olha pra esses meninos tocando, entendeu? Pra mim, não tem coisa igual", diz Tayane Silva, batuqueira.
Olinda tem um pulso diferente para cada momento. A Ladeira da Misericórdia, por exemplo, de onde se tem uma das vistas mais belas da cidade e também da vizinha, Recife.
Num dia comum, silêncio pra reverenciar o sagrado. No Carnaval, o caminho de pedras é uma passarela. O Alto da Sé é o eterno cartão postal. Neste ponto também a quietude pode ser quebrada de repente por um casal de passistas esbanjando a vitalidade do frevo no terraço da igreja-matriz ou por uma multidão na quarta-feira de cinzas, seguindo o Bacalhau do Batata.
O Mercado da Ribeira, que já funcionou como local de venda de escravos e onde existe, hoje, uma central de artesanato, é ponto de encontro de vários blocos.
"Energia maravilhosa. Essa fusão cultura-diversão tem tudo a ver!”, declara Rafael Monteiro, turista.
Quem preferir ficar hospedado no Recife tem à disposição 83 hotéis e pousadas. Os preços variam entre R$ 800 e R$ 1,6 mil para os cinco dias.
A passagem de ônibus mais barata entre a capital pernambucana e Olinda custa R$ 1,80. De táxi, o percurso de pouco mais de dez quilômetros sai por R$ 30 reais.
Um detalhe é que em Olinda cabe tudo, como o encontro inesperado com um ritmo que nem é tradição na cidade. O grupo se chama Sambadeiras por um motivo óbvio.
"Costumamos dizer agora: Olinda, quero sambar aqui!", diz Marcos de Pilares, percussionista.
Para brincar Carnaval em Olinda, é preciso saber o seguinte: é sempre quente, muito quente, o turista anda muito e todos os grupos adoram uma ladeira. Então, o desafio é manter o ritmo, mesmo no sobe-e-desce.
Mas, com o som , não é tão difícil. Olinda é para os olhos e para o corpo de qualquer idade. "Ah, eu vibro. Eu gosto de Carnaval. Por mim, Carnaval era o ano todo", afirma Eunice Albuquerque, moradora.













